Foto: Antônio Carneiro Costa/Gazeta Press
Jogadores do Náutico comemoram a vitória como se fosse um título.Ainda dá para os alvirrubros. Para os rubro-negros, não
O Clássico dos Clássicos jogado nos Aflitos, foi digno de um jogaço, regado de emoção. O Náutico conseguiu quebrar um tabu de quase três anos sem vitórias em cima do Sport, a última foi em 2007, por 2x0. E mais uma vez, a vitória teve um sabor mais que especial. Além de vencer o Clássico, o Náutico ainda pode sonhar com a permanência na Série A. Ao Sport, resta se recuperar na Série B do ano que vem e subir dignamente.
O Leão só tem 1% de chances matemáticas de permanecer na Primeira Divisão. Ou seja, cálculo pra louco. O futebol que o Sport mostrou depois da eliminação da Libertadores, foi pífio. O abatimento no grupo rubro-negro ficou visível. Nem torcida, nem diretoria e nem jogadores, conseguiram contornar a situação. Agora, resta terminar o ano de uma forma honrosa e torcer para que esse rebaixamento seja apenas um acidente de percursso e que o Sport faça o mesmo que Palmeiras, Grêmio, Corinthians e agora o Vasco fizeram: se estabilizar na Série B e subir com muito mais força.
Bom, vamos ao jogo. Os aflitos presentes no Estádio dos Aflitos somavam quase 20 mil pessoas. Os do Náutico, em maior número, querendo que o time ganhasse à qualquer custo, pois a vitória tinha três pesos. Primeiro, fazer o Náutico respirar e seguir lutando contra o rebaixamento; segundo, quebrar um tabu de derrotas contra o rival e terceiro, rebaixar o Sport. E logo no início do jogo, aos 4 minutos, Michel fez uma bela jogada e deixou Bruno Mineiro na boa, só pra encostar. 1x0 Náutico. Ali, o Sport não baixou a guarda e ainda procurou dar a volta por cima. E Vandinho, dep
ois de receber um ótimo lançamento, empatou a partida e o Sport começou a esboçar uma reação. Mas, com um golpe de sorte, o Náutico achou um gol depois de um chutaço de Carlinhos Bala, que desviou em Durval e enganou Magrão: 2x1 Náutico. O Sport chegou a empatar mais uma vez, com Wilson. Mas no fim, depois de um chute de longa distância de Irênio, o 'morrinho artilheiro' roubou a cena e fez com que o camisa 1 do Sport falhasse: 3x2 Náutico. O Sport ainda teve mais uma chance, mas a bola de Andrade parou no travessão de Glédson. No fim, o Náutico venceu o Sport pela primeira vez desde o início da gestão do presidente Maurício Cardoso que comemorou a vitória como uma criança, e deu uma declaração que deixou visível a fragilidade do futebol pernambucano. "Eu posso ir (pra a Série B), mas eles (o Sport) foram primeiro". Ou seja, em vez da vitória representar uma sobrevida para o Timbu, na cabeça dos dirigentes, serviu mais como um alívio o rebaixamento do rival. Uma pena.
De presidente pra presidente, o do Sport, Silvio Guimarães, decretou o rebaixamento do Sport. "Peço desculpas à torcida rubro-negra por tudo o que aconteceu. Mais do que ninguém, eu sou o culpado pela situação", disse resumidamente, o presidente.
Se para o Sport a Série B já é uma realidade, para o Náutico, o que ainda não parece, pode se tornar visível. Em vez de comemorar o rebaixamento do rival, o Náutico tem que se preocupar com a sua permanência pois o Fluminense, o Botafogo e o Santo André - concorrentes diretos pela vaga que sobra na Série A - também venceram e o Náutico ainda continua na zona de rebaixamento. Pedreiras ainda estão por vir, como no próximo jogo, contra o Santos na Vila Belmiro. Depois o Náutico ainda tem o Flamengo, que luta para ser campeão, nos Aflitos. Depois o Corinthians em São Paulo, depois o Santo André, também fora. Pra finalizar, a surpresa do campeonato, o Avaí, ainda vem jogar nos Aflitos.
Como vemos, só pedreira pela frente. Ao Sport, só resta começar a trabalhar para identificar onde houveram os erros e como consertá-los para que o ano que vem seja de fato o "ano de ouro" para o Sport, já que o prometido ano de 2009 acabou manchado por um rebaixamento. Para o Náutico, resta lutar até o fim. Do contrário, essa comemoração até exagerada depois de uma bela vitória sobre o rival não adiantará de nada e o Timbu pode acabar caindo abraçado com o seu 'desafeto' Leão.
Fotos menores: Antônio Carneiro Costa/Gazeta Press